quinta-feira, 8 de novembro de 2012

08 - Iniciando na análise harmônica

Aqui no Cavaquinho & Cia vamos tratar também de Análise Harmônica. Minha primeira dúvida era se eu deveria fazer análises harmônicas de determinadas músicas e colocar no blog, ou se deveria fazer estudos que contribuíssem para que o internauta aprendesse a fazer análise harmônica. Bem, eu resolvi fazer as duas coisas, postar análises feitas por mim, e também escrever textos sobre como fazer análise harmônica. Vou começar por esse último aspecto.

Para analisar o que acontece com a harmonia de uma música, desde que tenhamos a harmonia já pronta, precisamos saber em que tonalidade a música está. Sabendo a tonalidade sabemos de imediato os tipos de acordes que espera-se que a música contenha. Mas, a música pode conter outros acordes fora daquela tonalidade principal. Quantos acordes? A princípio todos os acordes de uma música podem fazer parte da tonalidade principal, mas também todos podem fazer parte de outras tonalidades, basta que o harmonizador faça a música modulando de tom a cada acorde!! É possível isso? Claro, mas não é comum, o comum é que uma música tenha um tom principal e ocasionalmente module para outro(s) ton(s). Jobim não fez o "Samba de Uma Nota Só"? Então, você pode fazer o "Samba de Todos os Tons"!

Assim, quais os acordes de um tom principal? Para responder a isso, preciso primeiro saber duas coisas: 1) qual o tom? 2) qual a escala do tom?

Suponha que o tom seja de DO MAIOR. Então, a escala do tom é a escala de DO MAIOR. Veja nossa queridinha aí abaixo!







Agora, precisamos conhecer as cifras das notas. Veja bem, não são as cifras dos acordes ainda, mas apenas as cifras de cada nota na escala. Existe isso? Claro, os alemães é que inventaram isso, pra cada nota deram uma letra, mas não começaram pela nota DO, e sim pela nota LA. Veja:

LA(A)  SI(B)  DO(C)  RE(D)  MI(E)  FA(F)  SOL(G)

Esses alemães ajudaram pra caramba! Então, vou colocar cifras nas notas da escala de DO MAIOR, veja:









Agora, temos que formar as notas dos acordes. Para cada nota da escala eu coloco mais duas notas em cima, vai ficar assim, (nota na linha, nota na linha , nota na linha); ou então, fica assim, (nota no espaço, nota no espaço, nota no espaço). Sempre será assim? Uns acordes só possuem notas nas linhas e outros acordes só possuem notas no espaço. Sempre será assim. Quando isso muda? Só quando se inverte alguma nota do acorde, mas isso não é papo para esse momento, apressado come cru(eu disse “cru”!!!), e quem não é apressado? Come bem passado, ou ao ponto!! rs rs Veja os acordes de 3 sons:






Agora eu vou passar da “cifra das notas” para a “cifra dos acordes” de 3 sons. Veja abaixo cada acorde cifrado:








Observe acima que no alto eu coloquei os graus em algarismo romano. Graus de que? Graus da escala. Para cada grau de uma escala existe um acorde de 3 sons.

Observe como são parecidos os tipos dos acordes do  grau I ,do grau IV e do grau V, eles são acordes maiores. Observe também como são parecidos os tipos dos graus II, III e VI. Eles são acordes menores. E o acorde do grau VII, ele não se parece com nenhum dos outros tipos, ele é um acorde de 5ª diminuta(b5). Ele tem uma letra m minúscula que faz ele parecer que é um acorde menor, mas não é, é acorde de 5ª diminuta.

Mas, e se a escala não fosse essa de DO MAIOR? Bem, aí seriam outras notas e as “cifras das notas” iriam mudar , mas os tipos dos acordes seriam exatamente os mesmos e nas mesmas posições(graus).

Mas, eu não estou vendo aí nenhum acorde com intervalo de sétima(7M ou 7), onde estão eles? Para formar acordes de sétima, tenho que acrescentar uma quarta nota em cada um dos acordes de 3 sons. Vamos fazer isto no post 09-Campo harmônico maior, continuação desse assunto aqui.

Abraço,
Ivan Siqueira