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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

11 - Acordes de Dominantes

Primeiramente leia os posts 08, 09 e 10.

O assunto dominantes é um assunto muito importante, então resolvi escrever um post só para tratar disto.

Toda escala MAIOR tem 7 notas, e, portanto, 7 graus, e no grau V fica situado o acorde de DOMINANTE PRIMÁRIO, um acorde do tipo V7, é um acorde maior com uma sétima menor(7) acrescentada a ele.

Esse acorde possui 4 notas, e existem duas notas internas a este acorde, que formam um intervalo de 3 tons inteiros(trítono).













Veja que nesse acorde de G7 existem 4 notas, sol si re fa, e o intervalo formado pelas notas si e fa, forma um trítono.







Esse intervalo(trítono), quero dizer, o som que fica formado por  essas duas notas  é um som estranho, desestabilizador, instável, e que pede uma resolução, ou seja, pede um som confortável, estável, que leve a sensação de repouso, resolução. E essa resolução se faz com o acorde de grau I, o acorde de tônica. Assim, constantemente se vê um acorde do tipo V7 resolvendo(buscando) um acorde do tipo I ou I7M. Por quê? Porque todo acorde do tipo V7 tem um trítono, que já foi até chamado no passado de "diabulus loucus".

Quer sentir a sensação de estranheza de um trítono? Toque no seu violão essas duas notas. Toque ao mesmo tempo!











A RESOLUÇÃO DE UM V7
Como encontrar o acorde de resolução? Basta contar um intervalo de 4ª justa ascendente a partir do acorde de V7. Esse intervalo tem 2 tons e meio. Vou dar quatro exemplos:


















Acontece que cada grau da escala MAIOR tem o seu dominante, com exceção do grau VII, esse grau não tem dominante.
Vamos tomar a escala de DO MAIOR como padrão de análise. Veja os acordes dos graus IIm7, IIIm7, IV7M e VIm7:









Cada um desses acordes tem seu DOMINANTE SECUNDÁRIO. Como encontrar esses dominantes? Basta contar um intervalo de 4ª descendente( 2 tons e meio). Se é descendente, é pra trás! Exemplo, o acorde de Dm7, qual a dominante secundária dele? Conte  4 notas para trás: re do si La, então é A7 a dominante secundária de Dm7. Veja abaixo todas as dominantes secundárias do tom de DO MAIOR:









Agora vou fazer uma pergunta: É o A7 que resolve no Dm7 ou é o Dm7 que resolve no A7? Responda aí pra você, e se desejar mande um comentário pra ver se você acerta isso. Errar é humano! E o que é desumano? Não querer errar! Errar é a melhor forma de acertar um dia!!

Abraço,
Ivan Siqueira

10 - Análise harmônica de "Flor Amorosa"

Primeiramente leia os posts 08 e 09.

Vamos aqui fazer uma análise harmônica  de uma música das mais importantes do movimento do choro, a “Flor Amorosa”(Catulo da Paixão Cearense/Joaquim A. Callado). Para os nossos  propósitos não há necessidade de analisar a música completa, mas apenas um trecho. Quando analisamos uma música qualquer nos deparamos com o que já conhecemos e com o que não conhecemos ainda. Vamos ver como será essa coisa?












Olhamos a armadura de clave e não encontramos nenhum acidente, nem sustenidos, nem bemóis. Então, o tom principal da música é DO MAIOR ou LA MENOR. Procure uma nota sol, encontrou sol ou sol#? Vemos que existem  várias notas sol, então o tom é DÓ MAIOR.

O primeiro acorde que encontramos é o G7, ou seja é o V7 do campo harmônico. O segundo acorde é o C, esse é o grau I do tom, costumamos dizer que é a tônica. Em seguida encontramos um G7/D, esse é um acorde de função V7, mas contém uma nota D no baixo, temos que saber se essa nota D faz parte do acorde. Sim, faz sim, é a quinta do acorde, assim, a função harmônica é V7/5.

No quarto compasso, encontramos um acorde C, é a função I novamente, e veja que antes dele havia um acorde de V7/5. Sabemos que os acordes de função V7 vão buscar repouso(resolução) em um acorde de função I.

No mesmo compasso, surge um acorde C/Bb. Esse é um acorde de C mas com uma nota si bemol(Bb) no baixo. A pergunta é se essa nota pertence ao acorde de C. Não, não pertence, o acorde de C tem apenas as notas do, mi e sol, e, portanto, não tem sib. Essa nota si bemol mostra que esse não é um acorde de C, é um acorde de C7 com a sétima no baixo, ou seja C/Bb é o mesmo que C7/7. Mas aí temos um impasse, esse acorde não tem função direta no campo harmônico de DO MAIOR. Só existe acorde do tipo V7 no quinto grau de uma escala maior, mas o grau V da escala de DO MAIOR é o acorde G7, então C7/7 não é grau V7 da escala em análise.

DOMINANTES
Os acordes que se formam no grau V7 de uma escala são chamados de acordes de DOMINANTES. Se é o acorde do V7 é DOMINANTE PRIMÁRIA. Mas pode ser do tipo V7 e não ser primária, são as DOMINANTES SECUNDÁRIAS. Onde aparecem na escala principal? Não aparecem, mas estão subentendidas. Todo acorde da escala principal tem sua DOMINANTE SECUNDÁRIA, com exceção do grau VII, esse não tem dominante secundária. 



Qual a relação da DOMINANTE PRIMÁRIA(V7) e o acorde de TÔNICA(grau I) ? Basta contar um intervalo de quarta justa(2 tons e meio) ascendente, vai cair na resolução(grau I). Exemplo: de  G7 até C tem exatamente 2 tons e meio, veja:


Voltando para a nossa análise da música “Flor Amorosa”. Quem é aquele acorde de C/Bb, qual a função dele na música? Já vimos que ele é um C7/7,então é um acorde do tipo V7 secundário, ele deve procurar resolução 2 tons e meio acima dele, veja o esquema:









Agora veja lá em cima na partitura. Realmente,  ele buscou um F, mas um F/A. Como existe uma nota la(A) no baixo, precisamos saber se essa nota faz parte do acorde de F. Faz sim, o acorde de F é formado pelas notas fa, la e do.

No quinto compasso temos ainda um acorde de Fm/Ab, um acorde menor que não faz parte do campo harmônico do tom principal de DO MAIOR. Epa, no tom de DO MAIOR tem acorde de F, mas esse é um acorde de Fm, são chamados de acordes de empréstimo modal(AEM), ou seja, pegamos emprestado no tom de DO MENOR. A qualquer momento vamos fazer um post só sobre AEM. Segura aí!

No sexto compasso temos um C/G, esse é um legítimo acorde de grau I, com a quinta no baixo, então a função dele é de I/5.

Em seguida temos três acordes de dominantes, o acorde de A7(dominante secundária) resolveria em um acorde de Dm(esse é o grau IIm do tom principal) , mas acontece que não resolveu, buscou outra dominante, o acorde de D7, esse resolveria em um G, mas não resolveu, buscou outra dominante, o G7, bem, esse é uma dominante primária que acabou resolvendo no acorde de C.

Quando uma dominante não resolve e busca uma outra dominante, dizemos que são DOMINANTES EXTENDIDOS. Mas eu gostava mais do termo  como aprendi em 1975 quando morei em São Paulo e estudava harmonia com um jazzista, o termo usado na época era CADÊNCIA DE JAZZ, porque o jazz usa muito isso. As terminologias vão mudando, quem quiser que se atualize(riso).

Assim, a análise harmônica pode ser toda grafada na partitura, veja:















Voltamos a qualquer momento com novas análises, e traga seus amigos, um blog adora gente, e gente perguntando coisas, mas o serviço de comentários está com problemas, aguarde!

Abraço,
Ivan

09 - Campo harmônico maior

Primeiramente leia o texto 08-Iniciando em análise harmônica.

Quais os acordes que comumente são encontrados em uma música? São os acordes que pertencem ao tom principal daquela música. O tom principal é construído sobre uma escala, a escala do tom. Se o tom da música é DO MAIOR, usamos a escala de DO MAIOR. Em cada nota da escala podemos fazer acordes de 3 notas, ou alternativamente fazer acordes de 4 notas. Os acordes de 3 notas foram vistos no post anterior (08), agora vamos falar de campo harmônico dos acordes de 4 notas. melhor seria dizer, acordes de 4 sons.

Veja abaixo o campo harmônico de DO MAIOR:









O que vemos aí? O acordes de grau I e IV são do mesmo tipo, são maiores com 7ª maior(7M); os acordes dos graus II, III e VI são do mesmo tipo, são acordes menores com 7ª menor(7);  o acorde do grau V é completamente diferente dos outros, ele é um acorde maior com 7ª menor(7); e o acorde do grau VII ele é do tipo meio-diminuto, é um acorde de 5ª diminuta(b5) que ganhou uma 7ª menor(7).
Em qualquer tonalidade maior será sempre assim, esse mesmo padrão.

Então, podemos generalizar, e dizer que os graus de um campo harmônico MAIOR, para qualquer tonalidade, serão:







Como montar o campo harmônico MAIOR de um outro tom qualquer? Então, se eu conheço a tonalidade, exemplo o tom de RE MAIOR, só preciso saber quais são as “cifras das notas” do tom de RE MAIOR. As 7 notas da escala de RE MAIOR são: re mi fa# sol la si do#. Veja as cifras das notas:





E, em seguida, eu uso a estrutura geral do campo harmônico MAIOR para essas notas:








Assim, por esse processo, podemos formar todos os campos harmônicos maiores de qualquer tonalidade.

Mas, quais as funções desses 7 acordes? Ah, aí a coisa é diferente. Veja que acorde do “mesmo” tipo não significa acorde de “mesma” função harmônica. Mas função harmônica é outro papo, vem aí pela frente. Convide os amigos, blog adora gente!

Abraço,
Ivan Siqueira



08 - Iniciando na análise harmônica

Aqui no Cavaquinho & Cia vamos tratar também de Análise Harmônica. Minha primeira dúvida era se eu deveria fazer análises harmônicas de determinadas músicas e colocar no blog, ou se deveria fazer estudos que contribuíssem para que o internauta aprendesse a fazer análise harmônica. Bem, eu resolvi fazer as duas coisas, postar análises feitas por mim, e também escrever textos sobre como fazer análise harmônica. Vou começar por esse último aspecto.

Para analisar o que acontece com a harmonia de uma música, desde que tenhamos a harmonia já pronta, precisamos saber em que tonalidade a música está. Sabendo a tonalidade sabemos de imediato os tipos de acordes que espera-se que a música contenha. Mas, a música pode conter outros acordes fora daquela tonalidade principal. Quantos acordes? A princípio todos os acordes de uma música podem fazer parte da tonalidade principal, mas também todos podem fazer parte de outras tonalidades, basta que o harmonizador faça a música modulando de tom a cada acorde!! É possível isso? Claro, mas não é comum, o comum é que uma música tenha um tom principal e ocasionalmente module para outro(s) ton(s). Jobim não fez o "Samba de Uma Nota Só"? Então, você pode fazer o "Samba de Todos os Tons"!

Assim, quais os acordes de um tom principal? Para responder a isso, preciso primeiro saber duas coisas: 1) qual o tom? 2) qual a escala do tom?

Suponha que o tom seja de DO MAIOR. Então, a escala do tom é a escala de DO MAIOR. Veja nossa queridinha aí abaixo!







Agora, precisamos conhecer as cifras das notas. Veja bem, não são as cifras dos acordes ainda, mas apenas as cifras de cada nota na escala. Existe isso? Claro, os alemães é que inventaram isso, pra cada nota deram uma letra, mas não começaram pela nota DO, e sim pela nota LA. Veja:

LA(A)  SI(B)  DO(C)  RE(D)  MI(E)  FA(F)  SOL(G)

Esses alemães ajudaram pra caramba! Então, vou colocar cifras nas notas da escala de DO MAIOR, veja:









Agora, temos que formar as notas dos acordes. Para cada nota da escala eu coloco mais duas notas em cima, vai ficar assim, (nota na linha, nota na linha , nota na linha); ou então, fica assim, (nota no espaço, nota no espaço, nota no espaço). Sempre será assim? Uns acordes só possuem notas nas linhas e outros acordes só possuem notas no espaço. Sempre será assim. Quando isso muda? Só quando se inverte alguma nota do acorde, mas isso não é papo para esse momento, apressado come cru(eu disse “cru”!!!), e quem não é apressado? Come bem passado, ou ao ponto!! rs rs Veja os acordes de 3 sons:






Agora eu vou passar da “cifra das notas” para a “cifra dos acordes” de 3 sons. Veja abaixo cada acorde cifrado:








Observe acima que no alto eu coloquei os graus em algarismo romano. Graus de que? Graus da escala. Para cada grau de uma escala existe um acorde de 3 sons.

Observe como são parecidos os tipos dos acordes do  grau I ,do grau IV e do grau V, eles são acordes maiores. Observe também como são parecidos os tipos dos graus II, III e VI. Eles são acordes menores. E o acorde do grau VII, ele não se parece com nenhum dos outros tipos, ele é um acorde de 5ª diminuta(b5). Ele tem uma letra m minúscula que faz ele parecer que é um acorde menor, mas não é, é acorde de 5ª diminuta.

Mas, e se a escala não fosse essa de DO MAIOR? Bem, aí seriam outras notas e as “cifras das notas” iriam mudar , mas os tipos dos acordes seriam exatamente os mesmos e nas mesmas posições(graus).

Mas, eu não estou vendo aí nenhum acorde com intervalo de sétima(7M ou 7), onde estão eles? Para formar acordes de sétima, tenho que acrescentar uma quarta nota em cada um dos acordes de 3 sons. Vamos fazer isto no post 09-Campo harmônico maior, continuação desse assunto aqui.

Abraço,
Ivan Siqueira